O silêncio que veio depois da verdade
- 2 de out. de 2025
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Me encontro em mais uma das milhares de noites de insônia. Mas, dessa vez, a insônia tem nome e sobrenome. Na verdade, ela vem em formato de pergunta: por que as pessoas traem?

Estava assistindo a mais um dos muitos episódios de uma série (que, inclusive, já falei sobre aqui): Sex and the City. Em um dos episódios, a protagonista se vê dividida entre dois estilos completamente opostos de homem. Enquanto um é a incerteza em pessoa, o outro é a representação da estabilidade. Enquanto um desperta nela o lado mais impulsivo e até psicótico, o outro desperta a vontade de ser uma versão melhor de si mesma.
E então surge a dúvida: que tipo de amor realmente queremos?
Aquele amor seguro, que sabemos que, não importa o que aconteça, sempre estará ali como um lar — para onde podemos voltar quando tudo parece desmoronar?
Ou aquele amor que nos tira do chão, nos faz esquecer da realidade, que sabemos que não é o certo, mas ainda assim é o melhor erro que poderíamos cometer?
Será que é isso que alguém que trai sente?
Depois de muitas xícaras de café e conversas longas com amigos próximos, cheguei a uma conclusão: quem trai até ama — mas ama a si mesmo. Ama a sensação de fazer algo escondido, ama o calor do momento... mas jamais ama a pessoa traída.
Não me venha com o velho discurso: “quem nunca errou, que atire a primeira pedra”. Neste caso, me coloco no papel da própria pedra — e, acredite, quem diz que te ama e ainda assim te trai, não te ama de verdade.
Hoje entendo que o ato de trair nasce do egoísmo: é estar em um relacionamento sério, mas não querer abrir mão de nenhuma aventura. É ter alguém em casa como porto seguro — mas querer apimentar a vida às escondidas. É querer a estabilidade e a emoção, ao mesmo tempo, sem renunciar a nada.
Mas até onde ir com isso?
Como encarar todos os dias a pessoa que divide sua cama? Como dizer “eu te amo” sabendo que existe uma sombra escondida nos seus passos? Como viver constantemente com medo de ser descoberto?
Voltando à série, a protagonista que mencionei acabou cedendo à consciência: confessou ao namorado que o traiu mais de uma vez com o ex. E, claro, pediu perdão com a clássica frase: “todos erram, foi um erro bobo, me perdoa”.
Mas e você? Perdoaria uma traição?
Acho que minha resposta já está mais do que evidente, não é?
Sem beijinhos da Lari dessa vez.



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