Quando a comparação me pegou
- 19 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 17 de jan.
Hoje não teve jeito.
Ela me pegou.
Eu tentei correr, mas minhas pernas não respondiam aos sinais.
Tentei pensar em maneiras de escapar, mas meus pensamentos estavam vagando — por aí, por tudo, por nada. Ou talvez, naquele momento, eu só não soubesse onde eles estavam.

Hoje não teve jeito…
A bendita comparação me pegou de jeito.
A praga do século resolveu invadir meus pensamentos de um jeito descomunal. Talvez seja porque meus pensamentos já tenham até desistido de mim.
E me pego perguntando: onde surgiram as primeiras comparações?
Talvez tenha sido lá na época de Shakespeare, quando ele dizia que “o mundo inteiro é um palco, e todos os homens e mulheres são meros atores”.
Ou talvez mais cedo, nas histórias das deusas do Olimpo, quando Afrodite, Hera e Atena pediram a Páris que escolhesse qual delas era a mais bela.
Cada uma ofereceu algo — poder, sabedoria, amor — e competiram entre si.
E bom… o final dessa história todo mundo conhece: deu guerra.
Hoje, a comparação não precisa mais de multidões — só de uma tela.
Você acorda, abre o Instagram e já começa a medir seu corpo, sua vida, seus passos… com base no que o outro mostra.
Na Antiguidade, a comparação acontecia em estátuas, templos e guerras.
Hoje, ela acontece em likes, seguidores e silêncios.
E aí me pergunto: será que tem pra onde correr?
Recentemente, vivi mais um daqueles momentos em que a vida parece uma esteira sem fim.
Levei mais um não na vida profissional (e, sinceramente, eles têm sido frequentes).
Tento me convencer de que é só uma fase, mas é difícil quando lembro que:
• O Fernandinho, que se formou comigo, já trabalha numa multinacional.
• A Rebeca, com 23 anos, acabou de conquistar seu primeiro apê.
• O Pablo já tem carro, casa, é funcionário público… e aposto que já tá até de casamento marcado.
Tem quem chame isso de inveja — e talvez seja, um pouquinho.
Mas a real é que quem reina nessa história toda é ela: a comparação.
Não quero ser melhor que eles.
Quero alcançar o que eles alcançaram.
Quero sentir que eu também tenho um propósito, um caminho, um sentido.
E aí lembro das pessoas que estão ao meu redor e sempre tentam me colocar pra cima:
“Você é boa demais pra essa empresa, Lari.”
“Você merece mais, Lari.”
“Você sempre foi destaque na faculdade, Lari.”
“Certeza que vai brilhar muito ainda…”
A verdade? A gente se distrai tanto com os “nãos” que esquece de todos os “sins” que a vida já nos deu.
Aos poucos, aprendo que o tempo do Fernandinho, da Rebeca e do Pablo não é o meu.
E talvez, no fundo, não seja o tempo que voa…
Sejamos nós que corremos demais.
Bom…
Aos meus queridos nomes fictícios usados aqui (menos o Lari, que sou eu de verdade), desejo de coração que vocês continuem prosperando, e que nunca deixem de ser inspiração por onde passam.
E quanto a mim?
Bom…
Acho que está na hora de mais uma xícara de café.
—
Assinado:
Lari
Entre ciclos, sentidos e goles de café quente.



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